Há exatos cinco anos, um autor desconhecido, sob o pseudônimo ‘Satoshi Nakamoto’, publicava o artigo que deu origem ao Bitcoin. O texto – nomeado Bitcoin: A Peer-to-Peer Eletronic Cash System (Bitcoin: Um Sistema Peer-to-Peer de Dinheiro Eletrônico) – lançava as bases do dinheiro eletrônico baseado em criptografia, comentando como ele funcionaria e explicando as razões para a sua existência.

O conceito foi lançado timidamente em uma lista de e-mails de interessados em criptografia (a mensagem original pode ser lida no final do texto). Até hoje não sabemos quem é Satoshi. Muitos tentaram desvendar o mistério através de pistas deixadas nesta e em outras comunicações deixadas pelo autor antes de sumir completamente do mapa. Em seu perfil no site da P2P Foundation, ‘Satoshi’ se dizia morador do Japão, mas, através dos seus textos, alguns notaram que ele alternava termos britânicos e norte-americanos e adotava um inglês perfeito, talvez desenvolvido demais para um nativo nipônico. Outros estipularam que, pelo seu jeito de escrever, ele poderia ser uma espécie de acadêmico ou matemático, não a escolha óbvia (um programador). Outros apostam que ele não é um só, mas um grupo de pessoas. Fato é: não sabemos, talvez nunca saibamos, sua identidade. Sua cria, por outro lado, está mais viva do que nunca.

No texto em que apresentava ao mundo o que seria o Bitcoin, alguns pontos se destacam. Sobre as motivações que o fizeram pensar no novo modelo, ele é direto: “O comércio na internet se ampara quase exclusivamente em instituições financeiras servindo para garantir que terceiros processem pagamentos eletrônicos. Enquanto o sistema funciona bem para a maioria das transações, ele ainda sofre de fraquezas inerentes a esse modelo baseado em confiança. O que é necessário é um sistema eletrônico baseado em provas criptográficas, permitindo que os dois lados possam realizar transações sem a necessidade de confiança em outrem”.

Ele também explica como o sistema funcionaria, detalhando o processo de ‘mineração’ de bitcoins e adotando a hoje usual comparação entre a moeda criptográfica e o ouro. “Por convenção, a primeira operação em um bloco é uma operação especial que inicia uma nova moeda de propriedade do criador do bloco. Isso adiciona um incentivo para que os nodos apoiem a rede e fornece uma maneira de, inicialmente, distribuir moedas em circulação, uma vez que não há nenhuma autoridade central para emiti-las. A adição constante de uma quantidade de novas moedas é análoga ao que garimpeiros fazem ao gastar recursos para adicionar mais ouro em circulação”.

Por fim, vale destacar a preocupação do autor com a privacidade no sistema do Bitcoin, que ele compara com o modelo tradicional usado por bancos. “O modelo bancário tradicional atinge um certo nível de privacidade ao limitar o acesso à informação para as partes envolvidas e terceiros de confiança. A necessidade de anunciar todas as transações publicamente [como no sistema do Bitcoin] impede este método, mas a privacidade ainda pode ser mantida através de chaves públicas anônimas. O público pode ver que alguém está enviando uma quantidade para outra pessoa, mas não conta com informações ligando a transação a uma pessoa específica”.

Nesta primeira comunicação, Nakamoto não explora em detalhes as motivações político-econômicas para a criação da moeda criptográfica, mas o faria no ano seguinte, quando colocou o projeto em ação. Em um post publicado pela P2P Foundation em 2009, atribuído a Nakamoto, ele se alonga mais detalhadamente sobre os problemas das moedas tradicionais e mostra como o Bitcoin pode se tornar uma alternativa viável a elas: “A raiz do problema com a moeda tradicional é que ela precisa de muita confiança em outros para funcionar. Precisamos de confiança em um banco central para que ele não desvalorize a moeda, mas a história das ‘moedas fiat’ (respaldadas por governos e não pela paridade com o ouro) mostra inúmeras violações de confiança. Os bancos devem ser confiáveis para manter o nosso dinheiro e transferi-lo eletronicamente, mas o emprestam em bolhas de crédito com apenas uma fração de reserva. Temos que confiar neles com a nossa privacidade, confiar neles para não deixar os ladrões de identidade drenarem as nossas contas. Com moedas com base na criptografia, sem a necessidade de confiar em um intermediário ou em terceiros, o dinheiro se torna seguro e as transações sem esforço”.

Bitcoin chega aos 5 anos mais forte do que nunca
Avalie