Antes de pensar em Bitcoin como investimento, é preciso cuidar de sua liberdade financeira.

No meu site, o LivreEm10Anos.com, eu falo sobre a importância de se levar uma vida longe do consumismo irracional para alcançar a liberdade financeira em poucos anos.

Lá eu mostro como é importante saber gastar seu dinheiro para que sobre mais para investir no fim do mês.

Mas, é claro que eu também me interesso por investimentos … e por Bitcoin.

Há exatamente 4 anos eu entrei definitivamente no mundo das criptomoedas:

gastei a bagatela de R$163 e comprei quase um Bitcoin inteiro.

Foi a minha primeira ordem de compra executada no MercadoBitcoin.

Hoje, para comprar a mesma quantidade da moeda, seria necessário dispor de uma quantia superior a R$7.000, valor mais de 40 vezes superior aquele que eu precisei.

Mas o que me levou a tomar a decisão de investir em Bitcoin naquela época, momento em que ele era bem menos conhecido e confiável? E o que esperar desse mercado de criptomoedas nos próximos 4 anos? Vejamos…

Por que eu não me tornei sócio do Mercado Bitcoin

No primeiro semestre de 2013, surgiu a oportunidade de me tornar sócio do MercadoBitcoin.

Naquele momento, a empresa era a única exchange de Bitcoins do Brasil e o mercado era ainda muito pequeno.

A situação legal do Bitcoin era nebulosa. E isso não acontecia apenas no Brasil, mas em todo mundo.

O governo dos Estados Unidos emitiu sinalizações “positivas” em relação à moeda somente a partir do último trimestre de 20131.

No Brasil, a primeira instituição a se pronunciar oficialmente foi o Banco Central, já em 20142.

Essa falta de posicionamento dos governos (e do mercado de uma forma geral) gerava dúvidas.

Uma delas era, inclusive, sobre qual seria o enquadramento do Bitcoin: tecnologia, moeda, mercadoria, outro tipo de propriedade ou um sistema de pagamentos?

Tudo era incerteza naquele faroeste do início de 2013.

Esse ambiente opaco foi, sem dúvida, o maior responsável pela minha decisão à época de não me tornar sócio do MercadoBitcoin.

Como havia dúvidas sobre a situação legal do Bitcoin e dos sites que disponibilizavam um ambiente para a sua negociação (as exchanges), optei por não participar da empreitada.

Sendo analista da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, tomei a decisão de não participar de algo que poderia enfrentar uma grande resistência dos governos – o que, felizmente, não ocorreu.

É sempre bom ter um plano B

O final de 2012 e todo o ano de 2013 foi um período intenso de estudos sobre Bitcoin.

Não sei se também aconteceu com você, mas os dias seguintes das pessoas que descobrem a existência do Bitcoin são intensos e se parecem com uma montanha russa: em um momento, você entende alguma coisa e se acha um ser super inteligente; no momento seguinte, você percebe que não tinha entendido aquilo de verdade e se vê como a pessoa mais burra do mundo. Faz parte do jogo…

Como eu já havia vivido a odisseia de aprender um pouco sobre Bitcoin e via potencial na tecnologia, eu não estava 100% feliz com a decisão de não ter me tornado sócio do Mercado Bitcoin.

Foi assim que eu resolvi lançar mão do Plano B óbvio: gastar o dinheiro que eu investiria na sociedade comprando diretamente Bitcoin. Felizmente, o plano para não ficar chupando os dedos deu certo. 😀

É claro que apostar na moeda é diferente de investir na sociedade e ambos têm vantagens e desvantagens.

Enquanto a primeira opção te deixa com mais tempo livre para participar de outros projetos, a segunda permite que você alavanque o negócio por meio do esforço dos sócios.

No fim das contas, optei pelo que estava ao meu alcance naquele momento.

E o futuro?

Os últimos 4 anos do mercado de criptomoedas foram alucinantes. Mas o que esperar dos próximos 4 anos?

O Bitcoin teve altos e baixos – com um saldo bastante positivo até então – mas muita coisa aconteceu além dele.

Em sites como o coinmarketcap.com é possível ver a quantidade enorme de moedas alternativas ao Bitcoin (chamadas de altcoins) que surgiu nos últimos anos.

Algumas têm potencial para se tornarem úteis e melhorar nossas vidas; outras não passam de tentativas dos seus criadores para enriquecer rapidamente.

Além do Bitcoin e altcoins, um tipo de ativo chamado criptotoken vem ganhando cada vez mais visibilidade nos últimos meses.

Em resumo, os criptotokens são formas de incentivo à participação nas mais diversas aplicações que estão sendo criadas.

Em geral, servem para remunerar usuários, desenvolvedores, investidores e outros prestadores de serviços da aplicação.

Num segundo momento, costumam ser negociados em exchanges, como ocorre com o Bitcoin e com Altcoins.

Da mesma forma que o Bitcoin era um faroeste há 4 anos atrás, os mercados de altcoins e criptotokens ainda são muito incertos.

Mercados assim apresentam oportunidades, mas também são cheios de projetos e pessoas querendo dinheiro fácil.

Tomando os devidos cuidados, os próximos 4 anos devem ser vibrantes para os participantes desse ecossistema.

A solução para não perder a oportunidade e não cair no conto do vigário?

Estude e pesquise muito e tire suas próprias conclusões sobre cada criptoprojeto.

Tenho feito a minha lição de casa nos últimos 4 ou 5 anos e tem valido a pena.

E você, vai ficar esperando o futuro acontecer à frente dos seus olhos sem fazer nada?

Davi Batista

Sobre o autor:

Analista de mercado financeiro na CVM, foi analista de planejamento no IBGE e de negócios na Roland Berger.

Formado em Mecatrônica pela UNICAMP, Davi é mestrando em Economia e Administração de Empresas em Universidade do Porto, em Portugal.

Bitcoin como investimento
5 (8 votos)