No dia 13 de junho, a Blockchain Academy, com o patrocínio do Mercado Bitcoin, realizaram um evento com Jimmy Song. Ele um dos primeiros desenvolvedores do Bitcoin Core, sendo muito respeitado na comunidade. Além disso, é sócio do Blockchain Capital, que realizou investimentos em empresas como Kraken e BitFury. Depois de uma seção com comidas e bebidas, Jimmy Song apresentou uma palestra, explicando por que ele acredita que o Bitcoin é antifrágil. Ou seja, por que a volatilidade da criptomoeda não só não prejudica seu desenvolvimento, como na verdade o estimula. Depois, foi realizado um painel com Jimmy Song, Nickolas Goline (Blockchain Academy), Safiri Felix (Consensys) e Edilson Osório (OriginalMy).

A definição de antifragilidade vem de Nassim Nicholas Taleb. Objetos e ideias podem ser de três tipos: frágeis, resistentes e antifrágeis. Um copo de cristal, por exemplo, é frágil. Ele não aguenta grandes forças sobre ele. Uma pedra é resistente – ela aguenta grandes forças, mas quando quebra, não pode ser reconstituída. O músculo humano é antifrágil. Toda vez que ele é exposto a forças que o danificam, ele cresce mais forte.

Song deu dois exemplos de como o Bitcoin pode ser antifrágil. O primeiro é o da famosa Silk Road, que vendia produtos como drogas e documentos falsos na internet. O pagamento era sempre realizado em Bitcoin. Em 2013, Ross Ulbricht foi preso pelo DEA. Como muitos acreditavam que pagamentos ilegais eram o único caso de uso do Bitcoin, o preço foi de US$120 para US$80 em uma questão de minutos. Só que rapidamente se recuperou, já que muitos perceberam que a comunidade era muito mais forte do que apenas um site.

Outro exemplo é o do Bitcoin Cash. O hard fork gerou muita polêmica, e muitos apostavam que a divisão da rede poderia significar o fim do Bitcoin, ou até uma redução significativa. Nada disso aconteceu. Não houve confusão de marca (embora algumas pessoas tenham se confundido na hora de transferir as moedas entre carteiras), e as duas seguiram de forma relativamente saudável.

Jimmy Song continuou para dizer que são três os principais motivos pelos quais o Bitcoin é antifrágil: tecnologia, economia e sociedade.

 

Bitcoin é antifrágil: tecnologia

A tecnologia do Bitcoin foi construída para ser antifrágil. Não existe nenhum tipo de órgão central que dite como ele deve funcionar. Isso torna o Bitcoin mais lento, é verdade, mas dá a ele um poder que se assemelha ao de um organismo. Quando é atacado, evolui. Cada bug que é encontrado é corrigido, e ataques são repelidos.

Altcoins surgiram com a proposta de serem melhores do que o Bitcoin. Mas será que são mesmo? O que tem de errado com o Bitcoin? Ele já se provou um sucesso, alcançando projeção internacional. Seu sistema é robusto, e hoje em dia inviolável. Quem criou isso? A comunidade de desenvolvedores. São eles que são a antifragilidade ao Bitcoin do ponto de vista tecnológico.

 

Bitcoin é antifrágil: economia

Jimmy Song começou com uma comparação com o sistema de finanças tradicional. Em 2008, os bancos passaram por sérios problemas, e foram resgatados por seus governos. Eles não tinham incentivo para serem resistentes, muito menos para evoluir com a volatilidade. As garantias eram altas, por causa de seu status de “too big to fail”.

O sistema do Bitcoin não possui esse tipo de garantia. Os participantes do sistema devem evoluir se quiserem evoluir – companhias fracas serão eliminadas. A Mt. Gox merecia falir. Seu sistema de segurança era fraco, e toda a sua arquitetura era errada. Assim, “todos melhoram o seu jogo, já que não tem ninguém para dar apoio”, de acordo com Song.

Outro exemplo disso são os banimentos da China. Desde 2013, o país proibiu o Bitcoin em vários graus. Na primeira vez em que isso foi anunciado, o preço do Bitcoin despencou. A cada novo anúncio de restrição, o preço caiu menos e menos. Em 2017, a China anunciou a proibição de exchanges, o seu movimento mais ousado até o momento. O preço nem se mexeu, e até subiu um pouco com o anúncio. Por que? Todas as exchanges chinesas foram para outras jurisdições, e a comunidade estava preparada para o anúncio.

O sistema de preços voláteis também serve para remover os especuladores puros, que não estão comprometidos com a tecnologia. Song aponta que muitos que entraram em 2011 venderam seus Bitcoins assim que obtiveram algum lucro. Isso tira os folgados, que só querem ganhar dinheiro. Eles agora estão em ICOs ruins, procurando a pŕoxima onda de ganhos fáceis. Economicamente, são os holders os responsáveis pela antifragilidade.

 

Bitcoin é Antifrágil: Social

Novamente Song começa com exemplos reais, falando no Occupy Wall Street. Por que ele sumiu do mapa? A resposta é que foi apropriado pela política tradicional. Políticos começaram a dizer “eu represento esse movimento”, o que tira sua credibilidade. Isso é Song chamou de “social attack”.

No ecossistema do Bitcoin, ninguém presta atenção à autoridade. Jamie Dimon, presidente do JP Morgan, é uma das personalidades mais poderosas das finanças tradicionais. Em mais de uma ocasião, ele criticou o Bitcoin, e chegou a afirmar que demitiria pessoalmente qualquer funcionário do banco que ele visse negociando criptomoedas. Só que ninguém na comunidade prestou atenção a isso.

Outro exemplo foi o da tentativa de ativação do Segwit 2x. Um grupo de mineradores se reuniu na Consensus (maior evento de criptomoedas do mundo) em 2017, e decidiu que iria implementar uma série de mudanças. O problema é que essa decisão representaria justamente o que o Bitcoin combate – um grupo de pessoas tomando decisões pela comunidade. Por isso, os usuários combateram essa mudança. E ganharam!! “Vocês conseguem imaginar um cenário em que os consumidores ganharam uma batalha nas finanças tradicionais?”, perguntou Song.

 

O Painel

O Painel final, de debates, respondeu a série de perguntas feitas pela plateia. O ceticismo de Song em relação ao blockchain ficou evidente. Ele acredita em poucos usos para a tecnologia além das criptomoedas. Outros temas discutidos foram o futuro do Ethereum e as criptomoedas estáveis.

 

Conclusão

O que torna o Bitcoin antifrágil é a comunidade. São todos os usuários, desenvolvedores e entusiastas. Essa é a principal conclusão de Jimmy Song.

O economista chefe do Mercado Bitcoin, Luiz Calado, concorda. “Não podemos ver o blockchain como a solução de todos os problemas o mundo. Ele tem bons usos, e um grande valor para várias áreas, mas é preciso distinguir o que é hype e o que é de fato uma aplicação útil”, disse ele.

 

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Marco Antongiovanni é Analista de Mercado de Criptomoedas no Mercado Bitcoin. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas e cursando Direito na USP. Entusiasta das criptomoedas e hodler desde 2014.

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Por que o Bitcoin é antifrágil – Jimmy Song
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