Desde que eu comecei a ler e me interessar por Bitcoins, sempre fiquei curioso se minerar dava retorno ou não. Nesta época o Bitcoin valia menos do que o dólar.

Um belo dia, a marca dos 35 dólares foi ultrapassada! Neste momento tive certeza de que ele não ficaria abaixo da moedinha do Tio Sam nunca mais. Resolvi colocar a roupa velha, pegar as ferramentas e partir pra mineração.

Ao ler os artigos do fórum oficial do Bitcoin e acompanhar os cálculos, percebi que o sucesso da mineração se baseava principalmente em dois fatores: custo da energia elétrica e o poder de gerar os Mega Hash por segundo do hardware.
Sobre energia, a coisa mais impressionante que descobri, que apesar de possuir energia gerada por hidrelétricas, que é a forma mais barata de se gerar energia, mesmo assim pagarmos mais caro nos EUA! Lá é em torno de 0,10 – 0,20 dólares por KW/h. Aqui em BH/MG são em torno de 0,45 dólares!(Melhor mudar de assunto antes de baixar o nível)

Tendo isto em mente, é importante que se monte uma configuração que preze pela economia de energia. Diminuirá seu custo fixo e deixará mais energia elétrica de sobra para que outros estraguem o meio-ambiente no seu lugar.

A capacidade de processamento deverá ser suprida utilizando a tecnologia atual de placas aceleradoras gráficas, vulgo, placas de vídeo. Não cabe neste artigo, mas já é mais do que provado, as melhores para a tarefa são as placas da ATI.

Hardware

Planejei em começar a construir um hardware do zero. Do básico, mas que permitisse a expansão nos próximos meses. Para isto no início já comecei a orçar placas mãe que tivessem no mínimo três slots PIC 16x. Óbvio que só na placa mãe já começaria o orçamento na casa dos 500 legais. Depois de ler este artigo, graças à indicação de um amigo, mudei o projeto para uma placa que tivesse uma PCI 16X e duas PCI 1x. Quando for comprar novas placas, basta comprar um extensor PCI 1x para PCI 1x que já temos até no Mercado Livre.
A única coisa que você precisa para minerar é o processamento da placa de vídeo, mais nada.
Achei uma placa mãe que atendia a minha nova exigência de slots e que suportava o já velho e por isto barato processador Intel Dual Core, que só teria a tarefa de rodar o sistema operacional.

Com isto fiquei com:

  • Placa mãe: Gigabyte MB S775 GA-G41MT-S2 BR – R$ 185,00
  • Processador: Intel Pentium modelo E5800 (Dual Core), 3,2GHz – R$ 199,00Memória DD3 3: 2 GB Corsair – R$  89,00

Totalizando R$ 473,00 com nota fiscal e garantia. Que foi menor que o preço só da placa mãe que originalmente iria comprar.

Sobre a placa de vídeo, a receita é óbvia: tem de ser a melhor que tiver no mercado. Mas senhores, o meu orçamento inicial não comportava. Não se pode também comprar uma muito modesta senão nem sairia do 0 a 0. Resolvi optar pela ATI 5870 via Mercado Livre.

  • Placa de Vídeo: ATI 5870 2 GB – R$ 990,00

Em casa já tinha um gabinete, uma fonte de 420 watts, teclado, mouse e hd (de um Xbox velho que queimou). Ai já tinha todas as peças da parte mais fácil do trabalho, o hardware.

Sofware

A opção óbvia para a solução foi o Linux, pela segurança e já pelo fato de trabalhar com ele a mais de 10 anos. Para a distribuição fiquei na dúvida e testei uns quatro tutoriais que havia nos fóruns. Não queria ficar tentando resolver erros neste primeiro momento, pois queria mesmo é começar a minerar o mais rápido possível. O tutorial mais fácil e que tudo funcionou de primeira, foi este, onde resumirei de forma que acredito ser mais fácil. (Por que o cara coloca uso de “screen” em tutorial para leigos!)

Passo 1: Instale o Ubuntu 11.04

Pra começar, baixe a versão 11.04 do Ubuntu Desktop de 32 bits. Pode ser de 64 bits? Pode. Mas não faz a mínima diferença. E tem coisas que ainda não estão prontas pra 64 bits e você pode passar raiva desnecessariamente, não seja criativo nesta hora, baixe o de 32 bits.

Queime uma mídia com a imagem que acabou de baixar, coloque na máquina , de o boot e inicie o processo de instalação. O Ubuntu é muito, muito amigável. Não terá nada que ele vá te perguntar que não saberá responder. Fácil.

Depois de instalado, tente fazer um update. Via terminal é o mais rápido. Abra um terminal e dê o comando:

sudo apt-get update && sudo apt-get upgrade

Se ele não instalou os updates na hora da instalação, esta operação pode demorar um pouco, tome um café e relaxe.

Instale também os pacotes que serão necessários:

sudo apt-get install fglrx vim openssh-server g++ libboost-all-dev subversion git-core python-numpy

O Ubuntu estando atualizado dê reboot na máquina e já está pronto para o próximo passo.

Passo 2: Instale o driver da ATI

Com o Ubuntu 32 instalado, vai neste link e faça o download dos 72 MB.
Trata-se de um executável. No terminal dê os seguinte comando para iniciar a instalação:

chmod u+x ati-driver-installer-11-6-x86.x86_64.run
sudo ati-driver-installer-11-6-x86.x86_64.run

No início te pergunta duas opções de instalação, eu escolhi a segunda e fui bem sucedido. No final me apresentou algumas mensagens de erro, mas deu tudo certo. Tentei duas vezes na primeira opção, mas não funcionou. Desculpe, mas não me lembro da descrição das duas opções, por que já fazem duas semanas, se alguém desejar contribuir…

Passo 3: Baixe o restante das aplicações

No terminal dê os seguintes comandos:

cd ~
wget http://download2-developer.amd.com/amd/Stream20GA/icd-registration.tgz
wget http://pypi.python.org/packages/source/p/pyopencl/pyopencl-0.92.tar.gz
wget http://download2-developer.amd.com/amd/Stream20GA/ati-stream-sdk-v2.1-lnx32.tgz
svn checkout http://svn.json-rpc.org/trunk/python-jsonrpc
svn checkout http://svn3.xp-dev.com/svn/phoenix-miner/trunk
git clone git://github.com/m0mchil/poclbm poclbm

O primeiro commando é para garantir que você fará o download no home do seu usuário. O restante é pra baixar o seu registro como desenvolvedor ATI para poder utilizar o sdk deles, pyopencl, o sdk da ATI, última versão do python-jsonrpc, última versão do Phoenix-miner e do poclmb respectivamente. Não entrarei em detalhes neste post, ficará para um assunto posterior, pois o nosso objetivo aqui é colocar o equipamento para minerar o mais rápido possível.

Com os downloads finalizados, vamos para as instalações. Entre a primeira leva de comandos no mesmo terminal:

sudo tar xvfz ati-stream-sdk-v2.1-lnx??.tgz -C /opt
sudo tar xvfz icd-registration.tgz -C /
tar zxfv pyopencl-0.92.tar.gz
mv trunk phoenix
echo export DISPLAY=:0 >> ~/.bashrc
cd pyopencl-0.92
sudo sh -c 'echo "/opt/ati-stream-sdk-v2.1-lnx32/lib/x86/" >> /etc/ld.so.conf.d/local.conf'
./configure.py --cl-inc-dir=/opt/ati-stream-sdk-v2.1-lnx32/include/ --cl-lib-dir=/opt/ati-stream-sdk-v2.1-lnx32/lib/x86

Ufa! Calma que tem mais:

sudo ldconfig
source ~/.bashrc
make -j3
sudo make install
cd ../python-jsonrpc
sudo python setup.py install
cd ~
chmod +x phoenix/phoenix.py poclbm/poclbm.py
sudo aticonfig --initial -f --adapter=all

Pronto! Se deu tudo certo até agora, pode reiniciar a máquina!

sudo reboot

Para testar:

cd poclbm
./poclbm.py

O último comando deve listar os seus processadores e também a placa de vídeo que possuir. Isto acontecendo, tudo foi como esperado!

Passo 4: Conectando-se ao pool

Para minerar, o ideal, se você não tiver umas 20 placas desta, é se conectar em um pool de mineração. No pool a mineração dos blocos é dividido entre os usuários e quando completo, os Bitcoins de pagamento serão divididos proporcionalmente entre quem participou.

Estou usando o Deepbit, que apesar de todas as polêmicas por ser maior e tal, pra mim foi o que mais ficou no ar de todos. Pool fora do ar é Bitcoins que não consigo minerar, isto é ruim!

Depois de criar a conta no Deepbit, crie um novo Worker. Você pode ter quantos Workers precisar. Procure o link na parte superior “MY ACCOUNT” e na página o botão “Create new worker”.

Na página de criação apenas digite a senha para o novo worker. Não se preocupe em criar senhas mirabolantes, que o máximo que podem fazer é um hacker bondoso minerar pra você! Mas pelo amor de Deus não use a mesma senha da sua conta do Deepbit e nem de qualquer outra coisa que tenha. Não preciso falar que a senha de usuário do Deepbit tem de ser boa né! Pois nele ficarão os Bitcoins minerados até que você transfira. Para isto não deixe também de cadastrar lá o seu atual endereço Bitcoin.

Tendo o seu Worker já criado, já pode começar a minerar.

Volte para o Ubuntu, em um terminal aberto dê o os comandos:

cd poclbm
poclbm.py -v -d1 -w 256 -f1 --host=pit.deepbit.net --port=8332 --user=worker --pass=senha

Na parte onde está “worker” coloque o nome do worker recém criado que aparece no Deepbit. Normalmente é o seu e-mail seguido de underline e um número. Em “senha”, coloque a senha do mesmo.

Se tudo se deu corretamente, você já vai começar a minerar. Parabéns!

Nesta configuração eu consegui minerar 380 MH/s.

Hoje consigo mais de 400 MH/s, o cooler à 45% e a placa com 60 graus apenas sem ar condicionado.

Como consegui? Tunning! Mas isto vamos conversar no próximo post!

Quanto estou conseguindo gerar de Bitcoins? No próximo também. 😉

Espero que tenha ajudado!

Dúvidas ou problemas, não deixem de comentar.

 

Começando a Minerar
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