Roadmap

Antes de mais nada é fundamental entender como a rede Ethereum chegou a seu estágio atual de funcionamento. A magnificência do projeto de Vitalik Buterin é fruto de uma série de etapas que buscam aprimorar a plataforma, sem comprometer a atividade de seus usuários. Nesse tópico veremos a fundo como se deu esse processo transitório e quais as perspectivas para o futuro.

  • Olympic (Maio de 2015)

Tida como a testnet do Ethereum, o objetivo da versão Olympic era explorar o potencial máximo da rede, expondo suas vulnerabilidades, realizar transações, desenvolver e rodar nodes na rede. A fase, cuja duração levaria cerca de duas semanas, traria como recompensa 25.000 ethers distribuídos em 4 categorias de uso da plataforma: Atividade de Transação, Uso de Máquina Virtual, Proeza de Mineração e Punição Geral.

Vitalik e os demais devs premiaram os usuários que realizaram o maior número de transações no período, ocuparam maior espaço (em bytes) na rede, maior recebedor de mensagens, minerador com o maior número de transações, o contrato com o maior código, entre outros. Além de um prêmio de 5.000 ethers para os mineradores que conseguissem realizar um fork entre os usuários da linguagem Go e C++.

Todo esse uso iterado da rede revela apenas um prefácio, que serviria de base para que o projeto pudesse avançar com sucesso, sendo sequenciado pela fase Frontier.

  • Frontier (Julho de 2015)

Frontier marca a primeira versão funcional online da rede Ethereum. Nela se deu início à mineração de blocos, permitindo que fosse gerado o bloco genêsis a partir do consenso entre os usuários da rede. As primeiras transações seriam alocadas nesse bloco, assim que fosse estabelecido o consenso, dessa forma juntando-se à rede oficial do projeto.

Nessa fase é destacada, ainda, a possibilidade de negociação do Ether em exchanges, garantindo liquidez ao mercado, e a recompensa de 5 Ethers por bloco minerado.

  • Homestead (Março de 2016)

A versão Homestead marca a transição da rede de uma fase beta para mais estável. Enquanto Frontier servia de base para desenvolvedores experimentarem, aprenderem e começarem a montar ferramentas e apps descentralizados, Homestead permitiu mudanças na rede e no protocolo que garantiriam um uso mais aprofundado do Ethereum.

No bloco de número 1.150.000 ocorreu um hardfork (i.e uma mudança no protocolo que o torna incompatível com a versão anterior da rede) que destacou 3 propostas de melhorias no Ethereum (EIPs), são elas EIP-2, EIP-7, EIP-8.

No EIP-2 foi proposto o aumento do custo de se rodar um contrato via transação, de 21.000 para 53.000 gas; a anulação de contratos que não conseguissem arcar com as taxas de introdução do código (“Quanto mais complexo for um código, mais custoso ele será, dado a maior quantidade de dados que necessitam ser armazenados”); e ajuste na dificuldade do algoritmo do bloco.

O EIP-7 dá maior flexibilidade ao contrato, já que agora este pode armazenar outro endereço como uma fonte mutável, uma vez que o novo código seria executado no mesmo ambiente que o código do contrato original. Por fim, o EIP-8 garante que todos os clientes do Ethereum pudessem cooperar com melhorias no futuro protocolo da rede.

  • Metropolis

Metropolis marca a grande mudança no protocolo do Ethereum. Por conta da vastidão de inovações que traz consigo, foi subdividida em duas fases, são elas: Byzantium e Constantinople.

  • Byzantium (Outubro de 2017)

Correspondente a atual fase da rede, no momento em que este artigo é escrito (Junho de 2018), Byzantium busca resolver problemas de escalabilidade da rede, segurança e privacidade, que se mostraram presentes durante o boom das criptomoedas, no final de 2017. É imprescindível tratar de formas de solucionar tais problemas sem antes entrar em uma breve explicação sobre Plasma e Sharding, técnicas para garantir escalabilidade da rede Ethereum que vêm sendo adotadas nessa fase.

A noção por trás do Plasma é similar a Lighting Network do Bitcoin. Ao invés de rodar todos os smart contracts em uma cadeia principal de blocos, cria-se uma segunda camada, onde estes funcionarão em side chain, reduzindo o tráfego da main chain. Sharding é o processo de dividir os dados da cadeia, de modo que cada node só precise se preocupar com uma pequena parte da cadeia, diferentemente do que ocorre com a maioria das redes, onde todos os validadores devem validar todas as transações que ocorrem (gerando um enorme tráfego de informações, e comprometendo a escalabilidade).

Embora esta fase conte com a adoção de 9 diferentes EIPs, cabe aqui um destaque para: a condução de processamentos em paralelo a cadeia principal; maior robustez na criptografia; e a diminuição nas recompensas, juntamente do aumento na dificuldade do algoritmo.

Em ordem de garantir escalabilidade a rede, as transações e contratos que rodam na blockchain do Ethereum passam a ser realizadas em uma blockchain paralela ou uma segunda camada, utilizando Plasma.

Quanto ao aperfeiçoamento na criptografia, essa versão adota o algoritmo zk-SNARKs ou Zero Knowledge Proof, que constitui a ideia de que uma  parte pode provar para outra que uma declaração (geralmente matemática) é verdadeira, sem contudo revelar qualquer coisa além da veracidade da declaração. Isso garante maior segurança ao usuário, tendo em vista que a execução de um contrato depende unicamente da realização de alguma ação específica.

O aumento no nível de dificuldade do algoritmo, juntamente da diminuição nas recompensas tem por objetivo realizar uma transição gradual de uma rede Proof of Work para Proof of Stake, que será, de fato, implementada na fase subsequente, Constantinople.

  • Constantinople (previsto para o 4o trimestre de 2018)

Embora Constantinople tivesse sido marcada para o início de 2018, a equipe de desenvolvedores teve de postergar seu lançamento, por não ter determinado quais EIPs seriam abarcados. A ideia por trás desse fork consiste em desenvolver um protocolo capaz de mesclar tanto Proof-of-Work quanto Proof-of-Stake, afim de balancear segurança e escalabilidade.

Essa noção hibrida entre PoS e PoW é assegurada por meio do protocolo Casper, em que a cada cinquenta blocos minerados por meio de PoW, um deles será feito através de PoS. A finalidade de Casper, em linhas gerais, pode ser vista em: atingir a descentralização; economizar de energia; aumentar a segurança; escalar a rede; e transitar para um Ethereum 100% Proof-of-Stake, o qual será realizado em sua fase final, Serenity.

  • Serenity (sem data divulgada)

Em Serenity é esperada a implementação total do Proof-of-Stake, e isso impacta positivamente sobre a segurança da rede Ethereum. O conceito por trás do PoS é o de que validadores façam “apostas” (ou melhor, stakes) sobre quais blocos serão alocados à rede, ficando armazenadas em uma wallet especial. Quando o bloco for, de fato, adicionado à cadeia, dada a veracidade das informações que este comporta, os validadores receberão uma recompensa proporcional ao que foi apostado a priori.

Desta forma, evita-se que haja uma centralização, como ocorre com a utilização de PoW. Nesta última, a medida que se aumenta a dificuldade do algoritmo de mineração, há necessidade de despender mais recursos para concluir um bloco. Isso torna a mineração uma tarefa cara, que poucos conseguem arcar, levando à centralização por pools de mineração.

A equipe de desenvolvedores do Ethereum, em ordem de conduzir o projeto à proposta de valor original (i.e uma plataforma capaz de prover um universo descentralizado), passarão a adotar Proof-of-Stake em sua fase final, evitando a centralização, garantindo economia de energia e escalando a rede Ethereum, incapaz ser realizado através do Proof-of-Work.

Comunidade

Ethereum tem uma das maiores comunidades de cripto do mundo, colaborando nos seus status de uma das maiores moedas do mercado. A maioria dos entusiastas e usuários da moeda estão no r/Ethereum um fórum de discussão sobre tudo relacionado com a moeda. É um dos mais ativos do espaço, com novas discussões, notícias saindo a cada hora. Os motivos de uma comunidade tão fiel são muitos, entre eles ser o primeiro Blockchain que possibilitou contratos inteligentes, outro motivo pode estar em que muitos projetos no espaço, por exemplo ICO e Dapps, são baseados na plataforma Ethereum. Deste modo Ethereum serve de comunidade mãe para muitos projetos menores.

O outro lado da comunidade constitui desenvolvedores. Ethereum tem a maior comunidade, uma estimativa é que a plataforma ganha cerca de 50.000 desenvolvedores por mês, para trabalhar no seus Dapps. Pondo em perspectiva, de acordo com Andrew Keys a comunidade de desenvolvedores de Ethereum é 30 vezes maior que a de qualquer outra no espaço cripto. Assim Ethereum é uma potência no sentido de comunidade com a maior comunidade de desenvolvedores e uma das maiores em usuários e entusiastas.

Benchmarks

Embora Ethereum possa parecer a única alternativa em termos de criação de smart contracts, DApps e tokens, já existem alternativas que cumprem (ou ao menos, buscam cumprir) com as mesmas funções. Ao analisar os tokens listados no CoinMarketCap, é nítida a dominância do Ethereum na emissão de ativos frente a plataformas de igual funcionamento, como NEO e Waves.

No momento em que este artigo é escrito, Ethereum possui um marketshare de 17,86%, enquanto NEO, seu único concorrente a altura tem 0,80% dentro de um ambiente cuja capitalização de mercado ultrapassa 240 bilhões de dólares. Mesmo que Waves não apresente igual magnitude frente a seus semelhantes, cabe explicitar aqui suas respectivas funcionalidades, que convergem com a proposta de Vitalik Buterin.

  • Waves

Permite a criação e a emissão de tokens próprios a partir de smart contracts. Diferentemente do Ethereum, o usuário de Waves conta com o auxílio de plug-ins pré-disponíveis para auxiliar no desenvolvimento de seu smart contract, enquanto com o Ethereum é necessário ter conhecimento de Solidity, a linguagem de programação própria da rede.

Conta com um custo baixo para a criação, apenas 1 WAVES, e seu token ficará pronto em questão de minutos, além de ainda ser capaz de ser cambiado com moedas fiduciárias como USD, EUR e CNY.

  • NEO

Considerada o “Ethereum chinês”, a proposta do NEO se assemelha ao Ethereum na medida em que busca rodar smart contracts. Os certificados digitais representam um diferencial da plataforma, respaldados por lei, o que garante maior credibilidade e confiança aos contratos digitais.

Assim como Ethereum, há uma distinção entre o token da rede, NEO propriamente, responsável por ser intercambiado entre as partes através dos smart contracts, e GAS, cuja função consiste em emitir os contratos e DApps, realizar mudanças da rede e toda a parte funcional.

Enquanto Ethereum almeja adotar o Proof-of-Stake em um futuro próximo, NEO já o utiliza, e possui vantagem comparativa em relação àquele em termos de programação, já que possibilita o uso de C++ e Java, linguagens amplamente utilizadas, garantindo maior número de contratos sendo elaborados.

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Henrique Ferraz

Estudante de administração pelo Insper, Content Research na Blockchain Insper, libertário e entusiasta da tecnologia blockchain

Theodoro Malentachi

Estudante de economia, liberal, geek, hodler e trader de crypto. Content Research na Blockchain Insper.

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Ethereum Roadmap, Comunidade e Benchmarks
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