Num cenário de recuperação da recessão, em que há mais de três anos não se via incrementos no capital de país, operações do mercado de capitais foram as maiores responsáveis por um crescimento de 11% no patrimônio do brasileiro no ano passado. Entre os fatores principais, estiveram as fusões e aquisições e ofertas de ações. As informações são da Boston Consulting Group (BCG).

A análise considera as riquezas de segmentos variados, desde o varejo até o private banking, e leva em conta alocação local e no exterior. Para que as projeções continuem otimistas, no entanto, é preciso que haja uma articulação positiva dos cenários externo e interno, isto é, um mercado que favoreça as economias emergentes e uma mudança no governo do país, que promovesse reformas como a da Previdência, que contribuam para o controle da inflação e juros mais baixos.

A redução da Selic em mais de 50% do fim de 2016 até hoje incentivou os operadores do mercado local a tomarem mais riscos,o que se mostrou ser uma boa decisão com a queda dos juros, a alta da bolsa e a valorização do real no ano seguinte. Esse cenário positivo foi prejudicado por acontecimentos recentes como a greve dos caminhoneiros, que coincidiu com uma interrupção inesperada no ciclo de corte dos juros.

Com a Selic a 14,5% como estava antes da mudança, a opção dos investidores era por ativos de renda fixa, com um retorno alto. Com o novo cenário, esse mesmo investidor agora opera na bolsa, tem patrimônio fora do país e uma carteira de investimentos diversificada. Mesmo com uma pausa na política de redução dos juros o perfil de investimentos tende a ser esse, mais arriscado, como resultado de um menor custo de oportunidade no Brasil. É claro que para que a tomada de risco seja recompensada, o papel dos gestores de recursos terá que ser ainda mais cuidadoso.

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Juliana Liano é estudante da Faculdade de Direito da USP. Faz parte do Centro de Estudos dos Mercados Financeiro e de Capitais (CEM-USP) e é trainee no escritório jurídico global Norton Rose Fulbright.

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