As últimas semanas foram agitadas para os interessados em moedas alternativas, principalmente por conta de uma alta recorde do valor do Bitcoin (BTC), que pela primeira vez ultrapassou o valor de US$ 1000 por moeda, mas também por uma valorização galopante de outra forma de dinheiro criptográfico, o menos conhecido Litecoin (LTC). Ainda ignorado pelo grande público, o Litecoin vem mostrando bastante potencial para se estabelecer como alternativa ou complemento ao Bitcoin, já que seu sistema se mostra confiável e, de acordo com especialistas, traria até algumas soluções técnicas para problemas enfrentados pela comunidade do BTC.

Ao contrário do Bitcoin, que nasceu de pai ainda anônimo, conhecido apenas pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, o Litecoin tem criador com rosto e biografia. Formado pelo MIT, Charles Lee é um engenheiro de software que já trabalhou para o Google e inclusive ajudou a escrever o código que suporta o sistema operacional da gigante das buscas, o Chrome OS. Como projeto complementar ao seu trabalho diário, ele decidiu reescrever o Bitcoin, buscando corrigir algumas das falhas que via no desenvolvimento da moeda criptográfica. Em uma incursão anterior na arena das moedas alternativas, Lee tentou lançar a moeda Fairbrix, que fracassou justamente por conta de instabilidades técnicas. Em outubro de 2011, ele liberou uma cria mais aperfeiçoada, que viria a ser conhecida como Litecoin e seria futuramente simbolizada pela prata, em oposição ao ouro no qual o Bitcoin se inspira. A ideia é justamente essa, ser a prata para o ouro do Bitcoin – ou seja, uma opção mais leve e abundante.

Inserido em um universo em que circulam dezenas de outros projetos incipientes de moedas alternativas, que Lee chama simplesmente de “fraudes”, o Litecoin foi aos poucos buscando o seu espaço. Com o tempo, o LTC foi ganhando a sua própria comunidade de mineradores e interessados, a maioria derivados da própria comunidade do Bitcoin, e com isso conseguiu se estabelecer como a segunda moeda mais importante do setor. Os valores ainda não se comparam com o BTC, mas o seu crescimento está se dando de forma mais rápida do que se deu com o Bitcoin nos seus primeiros dias. Na madrugada do último dia 28/11, a economia do Litecoin ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão. Em janeiro, uma moeda do Litecoin poderia ser adquirida por irrisórios 0,07 centavos de dólar, enquanto agora, ao final de novembro, o valor ultrapassa os US$ 40 no momento em que escrevo o artigo.

As semelhanças entre BTC e LTC são amplamente maiores do que as diferenças, mas é possível afirmar que existe um contraste técnico relevante entre elas, que inclusive ajuda a entender a recente popularidade do LTC. O Litecoin é uma alteração do projeto original do Bitcoin e foi desenhado para liberar quatro vezes mais moedas do que o dinheiro criptográfico que o antecedeu, em um esforço para evitar que a moeda se torne excessivamente escarça e cara com o passar do tempo. As transações também são processadas com mais facilidade e a mineração é mais ‘inclusiva’, permitindo que máquinas regulares possam competir em mais equanimidade com as chamadas ‘perfuradoras digitais’. Adotando uma tecnologia chamada Scrypt, o Litecoin busca nivelar os mineradores e diminuir a vantagem daqueles que usam máquinas superpotentes e desenhadas para competir pelas moedas.

Mas, se o crescimento do Bitcoin parece estar levando o Litecoin na esteira, o fato é que existem outros motivos para isso além dos meramente técnicos. Com o valor do BTC já passando a barreira dos US$ 1000, a mais famosa moeda criptográfica já passa a ser menos acessível a um usuário mainstream, e a sua mineração há tempos já se tornou área de especialistas e palco de supermáquinas. Com preços ainda razoavelmente baixos e com uma comunidade ainda em formação, o LTC apresenta uma história crível e se mostra uma alternativa viável e de alto potencial de disseminação, e por isso vem atraindo um público cada vez maior.

Uma parte considerável dos mais importantes câmbios de BTC do mundo já troca também LTC, restando a entrada de algumas empresas importantes, notoriamente o Mt.Gox, que em breve também deve entrar no barco. Lee deixou o Google e vem trabalhando em soluções para a startup Coinbase e dedicando quase todo o seu tempo à disseminação do LTC.  Apesar disso, não podemos ignorar que ainda existem grandes desafios para uma valorização ainda maior do LTC. Um dos principais é o baixíssimo número de estabelecimentos comerciais, físicos e digitais, que aceitam o LTC como moeda de troca. Outro é a necessidade de uma maior confiança no LTC como uma moeda que veio para ficar e que tem uma razoável estabilidade, patamar que o Bitcoin já parece ter atingido. Nesse segundo aspecto, o núcleo central do Litecoin já se organiza para pôr de pé uma fundação nos moldes da Bitcoin Foundation, responsável por padronizar e passar uma imagem de legalidade e confiança ao BTC e aos negócios ligados a ele.

Para um futuro próximo, Lee acredita que o Litecoin deve prosperar em união, e não em oposição, ao Bitcoin. Em entrevista ao Coindesk, ele afirma que “o LTC está cerca de dois anos atrás do BTC em termos de adoção, então o mais interessante é olhar para frente”. “Se não estragarmos tudo, o Litecoin seguirá os passos do Bitcoin. Haverá mais adoção de comerciantes, e com isso nos tornaremos menos especulativos e mais úteis”, diz. Ele também comenta um cenário em que o Bitcoin possa ser usado para compras mais caras e o Litecoin ocupe o espaço das microtransações. Interessante, não?

E você, caro leitor, já investe no Litecoin ou pensa em adquirir as suas primeiras moedas? Compartilhe a sua experiência e opinião nos comentários.

Thoreau

O que você precisa saber sobre o Litecoin
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